Publicado por: Nikki | maio 7, 2009

Gráficos: overrated?

Eu passo nervoso quando alguém comenta de um jogo e a primeira coisa que diz é: “Nossa, os gráficos são absurdos, realistas, você enxerga até o pêlo do nariz do personagem!”. Quando eu quero só ver gráficos, eu procuro um vídeo em CG de alta definição, ou algo do gênero. Quando eu quero jogar, eu quero ver algo em harmonia, na sequência de critérios:

1- diversão: o principal motivo pelo qual jogamos. Eu não pego um jogo que não seja capaz de me divertir, me realizar com ele. Vira um dos jogos que serão comprados, ou queimados no dvd, ou gravado no hd, jogados por algum tempo e esquecido no limbo dos jogos ‘secos’, sem nada mais para oferecer.
Comparem a diversão de jogar a série “Tales of” com a de jogar Final Fantasy XII. Qual tem melhor gráfico? E qual é mais divertido?

2- jogabilidade: porque sem ela, a diversão se compromete. Quem não se revolta com o “#@%*#@%*@ eu pulei na hora certa!!” ou “eu faço o input perfeito pro combo mas o jogo não reconhece”? Eu considero isso fundamental, porque se eu estou controlando um personagem, eu quero ter controle de todos os movimentos possíveis dele. Ou seja, o limitante deve ser minha habilidade, e não a engine do jogo.

Devil May Cry 3 tem jogabilidade excelente. Eu consigo atacar os inimigos da forma que eu quero, desviar na hora certa, brincar de combo video no inimigo… é uma sensação de ‘liberdade’. Agora, em Prince of Persia (PS2), tudo é travado e pré-definido. Os stunts dele são bons, mas o combate é ruim. Combos pré-definidos (não dá pra cancelar), lento e com opções limitadas de defesa. É mais divertido ver ele fingindo estar na Matrix correndo na parede e pulando do que encontrar um inimigo e aplicar golpes repetidos.

Nas palavras do Shigeru Miyamoto: “When you press the jump button, the character should jump.” (“Quando você aperta o botão de pulo, o personagem deve pular”).

3- dificuldade: um jogo fácil não torna-se divertido, a menos que ele seja um jogo completamente voltado para a diversão casual (Mario Party, Mario Kart, etc.). Eles perdem rapidamente a empolgação, pois não é necessário se dedicar ao jogo. Há muitas críticas a respeito de Ninja Gaiden, por ser difícil demais, já que todos querem terminar o jogo… mas o jogo é muito bom, e a engine não chega a ser um fator limitante para a dificuldade – a limitação é o player.

Ou seja, a dificuldade faz parte da diversão do jogo, mas para aqueles que buscam desafio. Não foi feito para um gamer casual, que se diverte terminando um RPG com um FAQ do lado.

Olá Guitar Hero: Aerosmith, você é um excelente exemplo! Ou um exemplo mais famoso, Final Fantasy Crystal Chronicles: Ring of Fates. Ambos não apresentam empolgação alguma para um gamer normal, quanto menos para um hardcore como eu. Ou seja, joguei, terminei, e esqueci deles.

4- som: sim, ele vem antes dos gráficos. Isso é discutível – mas eu coloco antes por outra razão: O som do jogo é aquilo que você vai ter que aturar por horas, horas e horas. Coloque uma música repetitiva ou sons desnecessários, e veja o ânimo das pessoas indo embora.

Isso porque o visual pode ser ignorado mais facilmente que o auditivo, na minha opinião. Você consegue ignorar a ‘paisagem’ no seu caminho pro trabalho/facul todo dia. Mas, se ao invés disso você tivesse que ouvir sempre a mesma música, você não aguentaria mais ouvir qualquer trecho dela em qualquer lugar, pois a música parece entrar na sua cabeça (músicas ‘lavagem cerebral’ em rádios) enquanto a paisagem pode ser ignorada. Experiência pessoal no Japão – porque há sempre a mesma música na hora de começar o batente na fábrica…

Experimentem jogar Pokémon Stadium (agora é Battle Revolution?), e tentem ignorar a música-padrão de batalha ou o narrador (que felizmente, pode ser desativado). Chega uma hora que não dá, cansa. Enquanto isso, a trilha sonora e as vozes do Sonic Adventure 2 (Dreamcast) passam despercebidas pelo público, ou o gamer fica jogando a mesma fase só pelo prazer de ouvir a música…

5- gráficos: aqui está a controvérsia dos jogos de hoje… quantos jogos vocês conhecem que tem gráficos estupendos, abusando do PS3/X360, mas que param por aí? Fogo e água realistas, expressões faciais perfeitas, efeitos de luzes e sombras… e você não consegue jogar porque 1- tem tanta animação que você só pega no controle a cada 10 minutos, ou 2- esqueceram de fazer o resto do jogo, com jogabilidade ou dificuldade ridícula.

Por isso iniciativas como Megaman 9 (Capcom) e Legend of Zelda: Wind Waker (Nintendo) são interessantes. Foram exemplos que andaram na contramão da tendência atual e deram certo. Por que os gráficos melhores não conseguiram fazer as pessoas jogarem mais? Porque ele sozinho não é capaz de absolutamente nada… no máximo serve de exposição “olha o que o meu PC (ou PS3/X360) consegue fazer”…

Então, para mim um jogo com gráficos bons tem que ter os outros quesitos à altura, pois senão fica a má impressão de que eles queriam tanto conquistar o gamer pelos gráficos que esqueceram do resto.
Ou seja, eu aprovaria um Guilty Gear XX com gráficos absurdos – se a jogabilidade, a trilha sonora e o equilíbrio continuasse fiel à série.

A série Worms, por exemplo, decidiu se arriscar no mundo 3D mas a consequência foi severa: a jogabilidade foi completamente alterada para pior.

Em suma, qual é mais divertido, Grandia ou Final Fantasy X-2? Worms World Party ou Worms 3D?
A minha revolta atual com gráficos é que tem muitos jogos seguindo o padrão ‘gráficos = mais importante’, que é o que vende como ‘mainstream’ (ou seja, para as massas) e poucos jogos realmente bons, interessantes e divertidos de se jogar.

Seria como jogar futebol, e a cada vez que você chutasse a bola, um sensor nela ativaria um efeito gráfico de explosões e ventos, enquanto o sensor na sua chuteira deixasse um rastro de luz durante o chute. Bonito, muito legal, mas imaginem agora que os sensores custem absurdamente mais caro que a bola e chuteira convencionais, e ambas fiquem mais pesadas por causa da aparelhagem, prejudicando sua movimentação e, consequentemente, suas jogadas. Isso seria divertido? E olha que eu nem jogo futebol… o_O”

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Responses

  1. bom eu ainda prefiro o Worms Armagedom mais confesso q naum sei se o Worms World Party eh mais novo.
    Qual é?

  2. Não adianta dizer que se sente nervoso porque alguém disse que o gráfico é bom. O quesito visual é extremamente importante, já que pra uma primeira impressão, é o primeiro (e talvez único) sentido trabalhado (quando estamos vendo um preview por exemplo). FF12 por exemplo, não tem gráficos bonitos, mas MARAVILHOSOS, e o resto é o que você disse: Uma jogabilidade meia boca com uma história ridícula. Quesito visual sempre vai ser um chamativo, e se o jogo vai ser bom ou não depende de como ele vai agradar o resto de seus sentidos e suas preferências…

    Discordo de Prince of Persia, eu conseguia fazer tudo na hora da luta, parecia que foi projetado pra dar certo…

    frustrante eh Metal Gear 3 você querer puxar o cara pro chão e ele dar um soquinho que alarma tudo, aquele sim só tinha gráficos.

  3. Você falou do som, eu lembrei de Shin Megami Tensei: Digital Devil Saga. Parei de jogar ele exatamente por causa disso (mas não só isso, claro)

    E sobre o futebol, tem um exemplo ainda mais básico. De que adianta o cara driblar o time adversário todo se ele não consegue chutar pro gol?


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